terça-feira, 22 de setembro de 2009

Prece Budista

" Que todos os seres sejam felizes,
May all beings be happy,
Estejam onde estiverem,
Wherever they are,
Sejam fracos ou fortes.
Whether weak or strong,
Altos baixos ou medianos,
High, low or average,
Pequenos ou grandes.
Small or large.
Que todos, sem exceção,Sejam felizes,
Let all, without exception, be happy.
Seres visíveis ou invisíveis.
Visible or invisible beings,
Aqueles que moram perto ou longe.
Those who live near or far.
Aqueles que nasceram,
Those born
e que ainda estão por nascer.
And those still unborn.
Que todos os seres sejam felizes."
May all beings be happy.

"Buda - Metta Sutta"

Quanto vale um sonho ?

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Ao ver o vídeo acima não pude deixar de compará-lo as ações aos sonhos do nosso cotidiano, quanto vale um sonho? No caso do Kiwi valeu uma vida, a dele, ao que parece ele morreu feliz, mas caso ele mudasse de idéia depois do salto o que poderia ser feito???
Ele queria voar e se entregou a ilusão deste vôo, também nós quando desejamos voar nós entregamos a ilusão e ligamos nossa felicidade a realização de tal sonho, movemos esforço para termos uma boa profissão que nos garanta um carro do ano, um bom apartamento, roupas da moda, eletroeletrônicos sofisticados etc., e o que há de errado nisto? NADA!!! Também não há nada de errado em voar, o problema foi a forma como o Kiwi o fez, quando o que era para ser simplesmente um bem de consumo se transforma em um ideal de vida estamos nos lançando no vôo vertical desta tão simpática ave desprovida de asas capazes de voar. Tal qual falta capacidade de vôo as asas dele creio que nos falta a visão correta da realidade das coisas, por isso buscamos bens materiais como forma de realização pessoal, neste vôo não morremos como o Kiwi, mas também não encontramos satisfação duradoura, pois o carro do ano só tem o seu status de “do ano” até dezembro, a casa se desgasta, as roupas mudam de tendência e os eletroeletrônicos evoluem de forma desconcertante, e nós na tentativa de seguirmos esta corrida consumista dedicamos tempo e esforço de nossas vidas, acreditando que para sermos felizes temos que obter estas coisas, isto é verdade em parte, afinal é um direito de todo ser humano ter um bom emprego, moradia, etc., mais uma vez o problema está na forma como se encara estes bens, basta dizer como as referências mudaram, hoje não se pergunta “você conhece fulano filho de beltrano? Mas sim “ você conhece fulano, aquele do carro tal? Da moto tal? Que trabalha na Empresa tal? Mas e se não tiver o carro, a moto, a empresa como referencial o que resta ? Nada? Ora resta o ser humano que merece ter estas coisas por seu esforço e capacidade pessoal, mas que não necessita em absoluto de tudo isto para ser feliz , pois a felicidade ou a infelicidade mora em nossas ações e não em nossos bens perecíveis. A conseqüência do vôo do kiwi foi a perca da sua vida, também perdemos a nossa quando movido pelo desejo de posses mundanas nos afastamos daqueles que amamos ou que de alguma maneira necessitam de nós, achando que o ganho de determinado sonho de consumo justifica certos atos de egoísmo e individualismo que são a marca registrada de nossa sociedade, que benefício qualquer posse material pode trazer que desfaça o karma do egoísmo e da ambição desmedida? O dinheiro não é maléfico nem benéfico, traz facilidades e conforto, mas nunca felicidade ou infelicidade, o que gera isto são nossos atos, não há mal nem bem em se ter carros, motos, roupas da moda etc., a forma como se tem é que gera méritos ou deméritos para o “dono” (na verdade não somos donos de nada). O que vale menos? bens materiais vazios ou o conceito que faz certas pessoas desmerecenrem a si e aos seus semelhantes colocando as posses acima das ações que valorizam o espírito humano? Parece que em nossa sociedade só há espaço para o consumismo, as aparências e status, e assim vamos naquele vôo vertical. Ora o Kiwi morreu feliz, ele estava certo? Errado? Mal orientado? E sobre tudo valeu á pena? Isto apenas cada um pode responder para si próprio, lembro apenas que ao contrário do Kiwi podemos interromper a nossa queda antes de perdemos o dom de ter uma vida bem vivida com uma alegria simples e duradoura que só pode ser obtida pela pratica da compaixão.

domingo, 20 de setembro de 2009

Compaixão para com todos os seres vivos


Certa vez o Mestre observava um rebanho de carneiros que avançava lentamente conduzido pelos pastores. Chamou-lhe a atenção uma ovelha com dois cordeirinhos, sendo que um deles, ferido, caminhava penosamente. Buda tomou o cordeirinho ferido em seus braços e exclamou: - Pobre mãe, tranqüiliza-te. Para onde fores, levarei teu querido filhote. - E pensou: "É preferível impedir que sofra um animal, a permanecer sentado nas cavernas contemplando os males do universo."
Sabendo pelos pastores que, por ordem do rei, o rebanho seria levado, à noite, para o sacrifício e imolado em honra aos seus deuses, Buda então falou: - Quero ir convosco. - E os seguiu pacientemente, carregando o cordeirinho nos braços.
Chegando à sala dos holocaustos, observou os brâmanes recitando mantras e avivando o fogo que crepitava no altar. Um dos sacerdotes, apoiando a faca no pescoço estirado de uma cabra de grandes chifres, exclamou: - Eis aí, ó deuses, o princípio dos holocaustos oferecidos pelo rei Bimbisara.
Regozijai-vos vendo correr o sangue e gozai com a fumaça da carne tostada nas chamas ardentes; fazei com que os pecados do rei sejam transferidos a esta cabra e que o fogo os consuma ao queimá-la; vou dar o golpe fatal.
Aproximando-se, Buda disse docemente: - Não a deixeis ferir, ó grande rei! - E ao mesmo tempo desatou os laços da vítima, sem que ninguém o detivesse, tão imponente era seu aspecto.
Então, depois de haver pedido permissão, falou da vida que todos podem tirar, mas ninguém pode dar; da vida que todas as criaturas amam e pela qual lutam; a vida, esse dom maravilhoso e caro a todos, mesmo aos mais humildes; um dom precioso para todas as criaturas que sentem piedade, porque a piedade faz o homem doce para com os débeis e nobre para com os fortes.
Emprestou às mudas bocas do seu rebanho palavras enternecedoras para defender sua causa; demonstrou que o homem que implora a clemência dos deuses não tem misericórdia, ele que é como um deus para os animais; fez ver que tudo o que tem vida está unido por um laço de parentesco; que os animais que matamos nos deram o doce tributo do seu leite e de sua lã e colocaram sua confiança nas mãos dos que os degolam. E acrescentou: - Ninguém pode purificar com sangue sua mente; se os deuses são bons, não podem comprazer-se com o sangue derramado; e se são maus, não podem lançar sobre um pobre animal amarrado o peso de um cabelo dos pecados e erros pelos quais se deve responder pessoalmente. Cada um deve dar conta de si mesmo, segundo esta aritmética invariável do universo, dando a cada um sua medida segundo seus atos, suas palavras e seus pensamentos; esta lei exata, implacável e imutável vigia eternamente e faz com que todos os futuros sejam frutos do passado.
Falou assim, com palavras tão misericordiosas e com tal dignidade, inspirado pela compaixão e justiça, que os sacerdotes se despojaram dos seus ornamentos e lavaram suas mãos vermelhas de sangue. E o rei, aproximando-se, saudou o Buda com as mãos juntas.

Do livro Budismo - Psicologia do autoconhecimento

A maldade da Calúnia


Certa vez, o Buda Sakyamuni (Sidharta Gautama) encontrava-se pregando na cidade de Kausambi. Nessa cidade vivia um homem que o odiava e, transtornado por esse ressentimento, e usando subornos, induziu algumas pessoas malvadas para que divulgassem boatos malévolos a respeito do Buda.Como conseqüência, ficou muito difícil para os discípulos de Sakyamuni obterem, naquela cidade, alimentos suficientes através da mendicância, pois a população havia sido contaminada com as mentiras e abusos sobre o Buda e seus discípulos.Ananda, um dos principais discípulos de Sakyamuni, disse para o Mestre: "Seria melhor não ficarmos nesta cidade; há outras e melhores cidades para onde podemos ir; saiamos daqui."O Buda replicou : "Suponhamos que a outra cidade seja como esta; que faremos então ?""Então iremos para outra" --- disse Ananda.
O Iluminado retrucou : "Não, Ananda, assim nunca conseguiremos nosso intento. É melhor que permaneçamos aqui e suportemos pacientemente o abuso, as mentiras e as infâmias, até que se esgotem por si mesmas. Só então iremos para outro lugar."Continuando, o Buda falou, ainda : "Há lucro e perda, difamação e honra, louvor e abuso, sofrimento e prazer neste mundo; os seres humanos que alcançam a Budicidade não são controlados pelas coisas externas, pois que elas desaparecem tão rapidamente como surgem."

A INSENSATEZ E A ESTUPIDEZ DOS TOLOS


Sutra Samyuktaratnapitaka


Havia, certa vez, um homem que se irritava com facilidade.Um dia, dois outros homens estavam conversando a respeito do homem irritadiço, em frente à casa onde ele vivia. Um dizia ao outro : "Ele é um belo homem, mas é impaciente demais; tem um temperamento explosivo e se zanga rapidamente."O homem irritadiço, ouvindo a observação, irrompeu da casa e atacou os dois amigos, batendo, chutando e magoando-os.Este fato nos ensina que quando um sábio é advertido sobre seus erros, refletirá sobre isso e melhorará sua conduta. Quando, entretanto, um insensato tem sua má conduta apontada, não somente desprezará o aviso, como também continuará a repetir o mesmo erro.
Era uma vez um homem rico, porém tolo.Ao ver uma bela mansão de três pavimentos, invejou-a e decidiu construir uma igual a ela, julgando-se suficientemente rico para tal empreendimento.Contratou um carpinteiro e lhe ordenou que construísse a sua mansão.O carpinteiro começou imediatamente a construir o alicerce para depois fazer, sucessivamente, o primeiro, o segundo e o terceiro andares. O homem rico, vendo isso com irritação, disse : "Não quero um alicerce, nem o primeiro, nem o segundo andares; apenas quero o lindo terceiro pavimento. Construa-o rapidamente."Um tolo, portanto, pensa apenas nos resultados, impacientando-se com o esforço necessário para se conseguir bons resultados. Nada de bom pode ser conseguido sem esforço, assim como não se pode construir um terceiro pavimento sem que se façam primeiramente o alicerce, o primeiro e o segundo andares.
Um outro tolo estava, certa vez, fervendo mel.Recebendo a inesperada visita de um amigo, ele lhe ofereceu algum mel, mas como estivesse muito quente, tentou esfriá-lo com um abanador, sem retirar o mel do fogo.Da mesma maneira, é impossível obter-se o mel da fresca sabedoria, sem que primeiro se remova o fogo das paixões e desejos mundanos.

Os quatro tipos de pessoas



Os quatro tipos de pessoas




Anguttara Nikaya IV.95 O Pedaço de Lenha Chavalata Sutta


“Bhikkhus (monges), há quatro tipos de pessoas que podem ser encontradas no mundo. Quais quatro? Aquela que não pratica nem para o seu próprio benefício e tampouco para o benefício dos outros. Aquela que pratica para o benefício dos outros mas não para o seu próprio benefício. Aquela que pratica para o seu próprio benefício mas não o benefício dos outros. Aquela que pratica para o seu próprio benefício e também para o benefício dos outros.
“Tal como um pedaço de lenha de uma pira funerária, ardendo em ambas pontas e suja de excremento no meio, não pode ser usado como madeira no vilarejo ou na floresta, eu lhes digo que esse é um símile para o indivíduo que não pratica nem para o seu próprio benefício e tampouco para o benefício dos outros. O indivíduo que pratica para o benefício dos outros mas não para o seu próprio benefício é o superior e mais refinado dos dois. O indivíduo que pratica para o seu próprio benefício mas não para o benefício dos outros é o superior e mais refinado dos três. O indivíduo que pratica para o seu próprio benefício e também para o benefício dos outros é, entre os quatro, o principal, o cabeça, o mais destacado, o superior e supremo. Da mesma forma como da vaca se obtém o leite, do leite o creme de leite, do creme de leite a manteiga, da manteiga a manteiga líquida, e da manteiga líquida a nata da manteiga líquida; e desses, a nata da manteiga líquida é considerada o principal – assim também, desses quatro, o indivíduo que pratica para o seu próprio benefício e também para o benefício dos outros é o principal, o cabeça, o mais destacado, o superior e supremo.”
“Essas são os quatro tipos de pessoas que podem ser encontradas no mundo.”

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Somente pela espiritualidade


Hoje ao se ver ou ouvir um noticiário ou mesmo na esquina bem próxima de nós, o cotidiano de nossa sociedade está manchado por vícios , violência, miséria, exploração e uma amarga desonestidade, estas coisas na verdade estão se banalizando a ponto de parecerem normais e inevitáveis, dentro desta perspectiva o mundo parece bem desanimador, talvez se houvesse mais empregos, se as leis fossem mais severas, se a repressão as drogas fosse mais pesada etc. etc., muito se fala a nível de mudanças nos sistemas, nas leis, mas será que isto age sobre a causa ou sobre o efeito?
Será que o presidente, o policial, o médico, o juiz e tantas outras peças do sistema podem fazer o mundo melhor? O que é necessário para um mundo melhor? Dinheiro? Empregos? Prisões? Carrascos?
Não, acho que COMPAIXÃO é o bastante, tudo que necessitamos pode ser obtido de nosso planeta, então o que nos priva de nossas reais necessidades? A ambição, a ignorância a falta de tolerância, isto nenhum sistema político, nenhum presidente, primeiro ministro, juiz ou policial, nenhuma legislação ou ditadura pode corrigir, tais fatores só podem ser reparados por uma coisa, CADA UM DE NÓS, não no mundo externo mas dentro de nosso espírito, a cura para os males do mundo repousa na espiritualidade, apenas pelos olhos da compaixão poderemos ter um mundo melhor, na verdade o mundo em si não está em absoluto perdido, ele é maravilhoso e radiante, nós é que estamos perdidos por dentro e refletimos esta escuridão na realidade que nos rodeia.
É na espiritualidade que está a cura para os male do mundo, que na verdade são os males da nossa própria ignorância.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O PODER DE BUDA




Kisagotami era uma pobre viúva que tinha sofrido diversas reviravoltas cruéis na vida. Então, como último golpe, o amado bebê – que era tudo que ela tinha no mundo – morreu.
Ela estava inconsolável e não queria que o corpo fosse cremado. Sofrendo também, um dos vizinhos da vila sugeriu que ela fosse ver o Buda. Ela chegou ante ele com o cadáver ainda em seus braços. “Me dê algum medicamento especial para curar minha criança, traga-o de volta” implorou.
Então o iluminado calmamente falou:
“Sim, posso te ajudar. Vá e me arranje três grãos de sementes de mostarda. Mas elas precisam ser de casas onde a morte nunca tenha ocorrido”.
Kisagotami encheu de esperança seu coração. Mas, assim que ia de porta em porta, ouvia uma história de perda após a outra. Desolada voltou a presença de Buda e disse que não encontrara uma única casa em que não houvesse ocorrido a morte.
Buda olhou serenamente para a pobre mulher e nesse instante a sua mente pode compreender que o luto não era sua tragédia pessoal, mas uma característica da condição humana, e aceitou o fato, com a alma resignada cremou a criança e se tornou dicípula de Buda.
É na correta compreenção da realidade e na compaixão por todas as coisas que mora o poder de Buda.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Buda e o tapa


“Buda estava sentado embaixo de uma árvore falando aos seus discípulos”. Um homem se aproximou e deu-lhe um tapa no rosto.
Buda esfregou o local e perguntou ao homem:
- E agora? O que vai querer dizer?
O homem ficou um tanto confuso, porque ele próprio não esperava que, depois de dar um tapa no rosto de alguém, essa pessoa perguntasse: “E agora?” Ele não passara por essa experiência antes. Ele insultava as pessoas e elas ficavam com raiva e reagiam. Ou, se fossem covardes, sorriam, tentando suborná-lo. Mas Buda não era num uma coisa nem outra; ele não ficara com raiva nem ofendido, nem tampouco fora covarde. Apenas fora sincero e perguntara: “E agora?” Não houve reação da sua parte.

Os discípulos de Buda ficaram com raiva, reagiram. O discípulo mais próximo, Ananda, disse:
- Isso foi demais: não podemos tolerar. Buda guarde os seus ensinamentos para o senhor e nós vamos mostrar a este homem que ele não pode fazer o que fez. Ele tem de ser punido por isso. Ou então todo mundo vai começar a fazer dessas coisas.
- Fique quieto – interveio Buda – Ele não me ofendeu, mas você está me ofendendo. Ele é novo, um estranho. E pode ter ouvido alguma coisa sobre mim de alguém, pode ter formado uma idéia, uma noção a meu respeito. Ele não bateu em mim; ele bateu nessa noção, nessa idéia a meu respeito; porque ele não me conhece, como ele pode me ofender? As pessoas devem ter falado alguma coisa a meu respeito, que “aquele homem é um ateu, um homem perigoso, que tira as pessoas do bom caminho, um revolucionário, um corruptor“. Ele deve ter ouvido algo sobre mim e formou um conceito, uma idéia. Ele bateu nessa idéia.
Se vocês refletirem profundamente, continuou Buda, ele bateu na própria mente. Eu não faço parte dela, e vejo que este pobre homem tem alguma coisa a dizer, porque essa é uma maneira de dizer alguma coisa: ofender é uma maneira de dizer alguma coisa. Há momentos em que você sente que a linguagem é insuficiente: no amor profundo, na raiva extrema, no ódio, na oração. 28/11/08 Eduardo
Há momentos de grande intensidade em que a linguagem é impotente; então você precisa fazer alguma coisa. Quando vocês estão apaixonados e beijam ou abraçam a pessoa amada, o que estão fazendo? Estão dizendo algo. Quando vocês estão com raiva, uma raiva intensa, vocês batem na pessoa, cospem nela, estão dizendo algo. Eu entendo esse homem. Ele deve ter mais alguma coisa a dizer; por isso pergunto: “E agora?”

O homem ficou ainda mais confuso! E buda disse aos seus discípulos:
- Estou mais ofendido com vocês porque vocês me conhecem, viveram anos comigo e ainda reagem.
Atordoado, confuso, o homem voltou para casa. Naquela noite não conseguiu dormir.

Na manhã seguinte, o homem voltou lá e atirou-se aos pés de Buda. De novo, Buda lhe perguntou:
- E agora? Esse seu gesto também é uma maneira de dizer alguma coisa que não pode ser dita com a linguagem. Voltando-se para os discípulos, Buda falou:
- Olhe, Ananda, este homem aqui de novo. Ele está dizendo alguma coisa. Este homem é uma pessoa de emoções profundas.
O homem olhou para Buda e disse:
- Perdoe-me pelo que fiz ontem.
- Perdoar? – exclamou Buda. – Mas eu não sou o mesmo homem a quem você fez aquilo. O Ganges continua correndo, nunca é o mesmo Ganges de novo. Todo homem é um rio. O homem em quem você bateu não está mais aqui: eu apenas me pareço com ele, mas não sou mais o mesmo; aconteceu muita coisa nestas vinte e quatro horas! O rio correu bastante. Portanto, não posso perdoar você porque não tenho rancor contra você.
E você também é outro, continuou Buda. Posso ver que você não é o mesmo homem que veio aqui ontem, porque aquele homem estava com raiva; ele estava indignado.
Ele me bateu e você está inclinado aos meus pés, tocando os meus pés; como pode ser o mesmo homem? Você não é o mesmo homem; portanto, vamos esquecer tudo. Essas duas pessoas: o homem que bateu e o homem em quem ele bateu não estão mais aqui."

Buda e o Deva


O Buda estava um dia no jardim de Anathapindika, na cidade de Jetavana, quando lhe apareceu um Deva (espírito da natureza) em figura de brâmane e vestido de hábitos brancos como a neve, e entre ambos se estabeleceu o seguinte “duelo”:

O Deva: – Qual é a espada mais cortante?
Ao que Buda respondeu:- A palavra raivosa é a espada mais cortante.

- Qual é o maior veneno?- A inveja é o mais mortal veneno.
- Qual é o fogo mais ardente?- A luxúria.
- Qual é a noite mais escura?- A ignorância.
- Quem obtém a maior recompensa?- Quem dá sem desejo de receber é quem mais ganha.
- Quem sofre a maior perda?- Quem recebe de outro sem devolver nada é o que mais perde.
- Qual é a armadura mais impenetrável?- A paciência.
- Qual é a melhor arma?- A sabedoria.
- Qual é o ladrão mais perigoso?- Um mau pensamento é o ladrão mais perigoso.
- Qual o tesouro mais precioso?- A virtude.
- Quem recusa o melhor que lhe é oferecido neste mundo?- Recusa o melhor que se lhe oferece quem aspira à imortalidade.
- O que atrai?- O bem atrai.
- O que repugna?- O mal repugna.
- Qual é a dor mais terrível?- A má conduta.
- Qual é a maior felicidade?- A libertação.
- O que ocasiona a ruína no mundo?- A ignorância.
- O que destrói a amizade?- A inveja e o egoísmo.
- Qual é a febre mais aguda?- O ódio.
- Qual é o melhor médico?- A compaixão.
O Deva então faz sua última pergunta:- O que é que o fogo não queima, nem a ferrugem consome, nem o vento abate e é capaz de reconstruir o mundo inteiro?
Buda respondeu:- O benefício das boas ações.
Satisfeito com as respostas, o Deva, com as mãos juntas, se inclinou respeitosamente ante Buda e desapareceu.

Fonte: As mais belas histórias budistas

VIDEO - A meditação dos Monges Budistas estuda cientificamente.

Reportagem que mostra como a pratica da meditaçao altera claramente áreas esoecíficas do nosso cérebro.


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VIDEO - Tibetan Aid Project

Vídeo que mostra o esforço do povo Tibetano para manter a sua cultura viva.


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VIDEO - O presente da paciência - Monja Coen

Por ocasião do aniversário de São Paulo A Monja Coen fala sobre a paciência, observem a paz e a serenidade que ela transmite.


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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

VIDEO - O que é o Budismo

Matéria produzida para o programa Sintonia Alternativa sobre o Budismo e o mestre Gautama Buda. Editado pela jornalista Rosane Viola e por Creo Mauro de Oliveira em Uberlândia, Minas Gerais e exibido diariamente na TV Cidadania, canal 7.

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ABC do Budismo - (www.acessoaoinsight.net)


O que é o Budismo?

1. O que é o Budismo?


A palavra Budismo é derivada da palavra ‘bodhi’ que significa ‘despertar’, portanto o Budismo é a filosofia do despertar ou iluminação. Essa filosofia teve origem na experiência de um homem chamado Siddhata Gotama, conhecido como o Buda, que realizou a iluminação por si próprio com 36 anos de idade. O Budismo existe faz 2.500 anos e tem cerca de 300 milhões de adeptos no mundo todo. Até meados do séc. XIX o Budismo era um filosofia com predominância na Ásia mas desde então se expandiu para todo o mundo.


2. Então o Budismo é apenas uma filosofia?


A palavra filosofia provém de duas palavras, ‘filo’ que significa ‘amor’ e ‘sofia’ que significa ‘sabedoria’. Então filosofia é o amor pela sabedoria ou amor e sabedoria, ambos significados descrevem o Budismo com perfeição. O Budismo ensina que devemos tentar desenvolver todo o potencial da nossa capacidade mental de modo que possamos alcançar o claro entendimento da realidade. O Budismo também prega o desenvolvimento do amor e bondade de modo que possamos expressar verdadeira amizade por todos os seres.


3. Quem foi o Buda?


No ano 560 antes de Cristo um bebê nasceu numa família real no norte da Índia. Ele cresceu rodeado pela riqueza e pelo luxo mas acabou se dando conta de que o conforto e a segurança mundanas não asseguram a felicidade. Profundamente comovido pelo sofrimento que viu ao seu redor, ele decidiu tentar encontrar o caminho para a felicidade humana. Com 29 anos de idade ele abandonou a vida de príncipe e saiu em busca da solução para os problemas humanos. Ele estudou e praticou com mestres distintos mas nenhum deles na verdade sabia a causa do sofrimento humano e como superá-lo. Por fim, depois de seis anos de estudos e experimentos com todos os tipos de práticas ascéticas e meditativas, ele realizou o fim da ignorância e compreendeu a origem e a cessação do sofrimento. A partir dessa data ele passou a ser o Buda, o Iluminado. Ele viveu por mais 45 anos durante os quais viajou pelo norte da Índia e ensinou a todos que quisessem ouvir aquilo que ele havia descoberto. A sua paciência e compaixão eram legendárias e milhares de pessoas se tornaram seus discípulos. Com oitenta anos ele faleceu.

4. Não foi um ato irresponsável do Buda abandonar a família?


Não deve ter sido uma decisão fácil para Siddhata Gotama abandonar a família em busca de algo completamente desconhecido. Durante muito tempo ele deve ter sofrido com a angústia e hesitação. Ele tinha duas alternativas, permanecer com a família ou dedicar-se ao mundo. No final a sua grande compaixão prevaleceu e fez com que ele se entregasse ao mundo. E desde a sua iluminação até os dias de hoje todo o mundo ainda se beneficia com o seu sacrifício. Essa não foi uma decisão irresponsável mas talvez o supremo sacrifício que alguém pode fazer.

5. O Buda está morto faz muito tempo, como ele pode nos ajudar?


Faraday, descobriu a eletricidade e já morreu faz muito tempo, mas a sua descoberta ainda nos beneficia hoje. Louis Pasteur descobriu a cura para muitas doenças e também já morreu faz muito tempo, mas as suas descobertas médicas ainda salvam vidas. Leonardo da Vinci, que criou obras de arte, também está morto, mas aquilo que ele criou ainda é capaz de causar elação e alegria. Homens nobres e heróis podem ter morrido faz séculos mas ainda podemos obter inspiração ao ler sobre as suas realizações. De fato, o Buda está morto, mas 2.500 anos depois, os seus ensinamentos ainda ajudam as pessoas, o seu exemplo ainda inspira as pessoas, as suas palavras ainda mudam vidas. Apenas um Buda é capaz de ter tal poder séculos depois da sua morte.


6. O Buda era um Deus?


Não, o Buda não era um Deus. Ele nunca fez esse tipo de afirmação, nem de que ele era o filho de algum Deus ou mesmo o mensageiro de algum Deus. Ele era um ser humano comum que aperfeiçoou a si mesmo e ensinou que se seguirmos o seu exemplo também poderemos nos aperfeiçoar.


7. Se o Buda não é um Deus, então porque as pessoas o veneram?


Há diferentes tipos de veneração. Quando as pessoas veneram um Deus, elas o honram e glorificam, fazem oferendas e pedem favores, acreditando que o Deus irá ouvir os seus louvores, receber as oferendas e atender as orações.
O outro tipo de veneração é quando demonstramos respeito por alguém ou alguma coisa que admiramos. Quando um professor entra na sala de aula ficamos em pé, quando somos apresentados a algum dignitário o cumprimentamos, quando ouvimos o hino nacional assumimos um postura respeitosa. Esses são todos gestos de respeito e veneração e indicam a nossa admiração por pessoas ou coisas. Esse é o tipo de veneração praticado pelos Budistas. Uma estátua do Buda com as mãos gentilmente repousadas sobre o colo e com um sorriso compassivo nos lábios nos recorda do esforço para desenvolver a paz e o amor dentro de nós mesmos. O perfume do incenso nos recorda da penetrante influência da virtude, as velas nos recordam da luz do conhecimento e as flores que, em breve irão murchar e morrer, nos recordam da impermanência. Quando nos curvamos expressamos nossa gratidão ao Buda por tudo aquilo que nos foi proporcionado pelos seus ensinamentos. Essa é a natureza da veneração Budista.


8. Mas eu ouvi as pessoas dizerem que os Budistas veneram ídolos.


Esse tipo de afirmação é um mal entendido. A definição do dicionário para a palavra ídolo é “estátua ou simples objeto cultuado como deus ou deusa”. Como vimos, os Budistas não acreditam que o Buda era um Deus, então como poderiam acreditar que um pedaço de madeira ou pedra possa ser um Deus? Todas as religiões empregam símbolos para expressar vários conceitos. No Taoísmo, o ying-yang é usado para simbolizar a harmonia entre os opostos. No Sikhismo, a espada é usada para simbolizar a busca espiritual. No Cristianismo, o peixe é usado para simbolizar a presença de Cristo e a cruz é usada para simbolizar o seu sacrifício. No Budismo, a estátua do Buda é usada para simbolizar a perfeição humana. A estátua do Buda também serve para nos recordar da dimensão humana dos ensinamentos do Buda, e que precisamos olhar para o nosso íntimo e não para o exterior para encontrarmos a perfeição e a sabedoria. Dizer que os Budistas veneram ídolos é incorreto.


9. Porque as pessoas fazem todo o tipo de coisas estranhas nos templos Budistas?


Muitas coisas podem parecer estranhas quando não as compreendemos. Ao invés de descartar essas coisas como esquisitas, deveríamos tentar entender o seu significado. No entanto, é verdade que algumas das práticas Budistas têm as suas origens nas superstições e mal-entendidos populares ao invés dos ensinamentos do Buda. E esse tipo de mal- entendido não é encontrado apenas no Budismo, mas aparece em todas as religiões de tempos em tempos. O Buda ensinou de forma clara e detalhada e se alguém é incapaz de compreender aquilo que foi ensinado, o Buda não pode ser censurado por isso. Há um dito:
Se alguém enfermo não busca tratamento mesmo na presença de um médico, isso não é culpa do médico.
Da mesma forma, se alguém está oprimido e atormentado pela enfermidade das contaminações mentais, mas não busca a ajuda do Buda, isso não é culpa do Buda.
Tampouco deve o Budismo, ou qualquer religião, ser julgado por aqueles que não o praticam da forma apropriada. Se alguém quiser conhecer os verdadeiros ensinamentos Budistas, deve ler as palavras do Buda ou buscar os ensinamentos através daqueles que os entendem da forma correta.


10. Porque há tantos tipos distintos de Budismo?


Há muitos diferentes tipos de açúcar: mascavo, branco, granulado, em pedra, xarope e cristalizado, mas todos são açúcar e todos têm o mesmo sabor doce. Diferentes formas são produzidas para atender as diferentes necessidades de uso. Com o Budismo ocorre o mesmo. Há o Theravada, Zen, Terra Pura e Vajrayana, mas todos são Budismo e todos têm o mesmo sabor – o sabor da liberdade.
O Budismo evoluiu para formatos distintos para ser relevante para as distintas culturas nas quais ele se estabeleceu. O Budismo foi re-interpretado ao longo dos séculos para continuar relevante para as novas gerações. Externamente, os distintos tipos de Budismo podem parecer muito diferentes, mas no núcleo de cada um encontram-se as quatro nobres verdades e o caminho óctuplo.


11. O Budismo tem base na ciência?


Antes de responder a essa questão seria melhor primeiro definir a palavra “ciência”. De acordo com o dicionário, ciência é o “conjunto de conhecimentos socialmente adquiridos ou produzidos, historicamente acumulados, dotados de universalidade e objetividade que permitem sua transmissão, e estruturados com métodos, teorias e linguagens próprias, que visam compreender e possibilitam orientar a natureza e as atividades humanas.”
Há alguns ensinamentos Budistas que não se encaixam nessa definição mas um dos ensinamentos mais importantes no Budismo, as quatro nobres verdades, com certeza se encaixa. O sofrimento, que é a primeira nobre verdade, é uma experiência universal e objetiva que pode ser definida, experimentada e medida. A segunda nobre verdade afirma que o sofrimento tem uma causa natural, que é o desejo pelo prazer dos sentidos, que de modo semelhante é uma experiência universal e objetiva que pode ser definida, experimentada e medida. O Budismo não tenta explicar o sofrimento com conceitos ou mitos metafísicos. O sofrimento tem fim de acordo com a terceira nobre verdade e não com a ajuda de um ser supremo, através da fé ou de orações, mas simplesmente removendo a sua causa: isso é axiomático. A quarta nobre verdade, o caminho para o fim do sofrimento, uma vez mais, não tem nada que ver com a metafísica mas depende da adoção de certos tipos de comportamento. E uma vez mais, o comportamento é algo que está sujeito a ser testado. O Budismo, tal qual a ciência, prescinde da idéia de um ser supremo e explica as origens e movimentos do universo com base em leis da natureza. Tudo isso com certeza exibe um espírito científico. Por outro lado, o conselho do Buda de que não devemos aceitar as coisas cegamente, mas ao invés disso, questionar, examinar e investigar tomando por base a nossa própria experiência pessoal, tem também uma forte conotação científica. O Buda disse:
“Agora Kalamas, não se deixem levar por relatos, por lendas, pelas tradições, pelas escrituras, pela conjectura lógica, pela inferência, por analogia, pela concordância obtida através de ponderações, por probabilidades ou pelo pensamento, ‘Este contemplativo é o nosso mestre.’ Quando vocês sabem por vocês mesmos que, ‘Essas qualidades são hábeis; essas qualidades são isentas de culpa; essas qualidades são elogiadas pelos sábios; essas qualidades quando postas em prática conduzem ao bem-estar e à felicidade” - então vocês devem penetrar e permanecer nelas.” (AN III.65)
Podemos então dizer que embora o Budismo não seja completamente científico, com certeza ele tem uma forte conotação científica e certamente é a mais científica das religiões. É significativo que Albert Einstein, um dos maiores cientistas do século XX, tenha dito sobre o Budismo:
“A religião do futuro será uma religião cósmica. Deve transcender um Deus pessoal e evitar os dogmas e as teologias. Abrangendo ambos, o natural e o espiritual, ela deve estar baseada num senso religioso que surja da experiência de todas as coisas, naturais e espirituais, e uma unidade que tenha significância. O Budismo preenche essa descrição. Se houver alguma religião que esteja à altura das necessidades científicas modernas, essa religião é o Budismo.”
Nota: Estas perguntas e respostas foram traduzidas do livro “Good Question, Good Answer” escrito pelo Ven. Shravasti Dhammika.

Os Budistas Acreditam em Deus?


Na cosmologia do Budismo Theravada há 31 mundos de existência dos quais 26 são habitados por divindades, (ou devas). Os 5 mundos restantes correspondem ao inferno, mundo animal, fantasmas famintos, titãs e seres humanos. O nascimento nesses 31 mundos é temporário e não há nenhum mundo onde a existência seja permanente ou eterna. Todos os seres em todos os mundos estão sujeitos ao falecimento e ao renascimento no mesmo mundo ou em algum outro. Os seres renascem em cada um desses mundos de acordo com o seu karma.
As divindades que renascem nos 26 mundos de existência possuem distintas características de refinamento ou pureza, por exemplo, os primeiros 6 mundos de divindades, depois do mundo humano, ainda fazem parte da esfera sensual, ou seja, são divindades que ainda desfrutam do prazer dos sentidos. A diferença em relação ao mundo humano é que essas divindades desfrutam mais prazeres do que os humanos, cuja experiência é uma combinação de prazer e dor. Já nos mundos seguintes as divindades apresentam gradualmente qualidades cada vez mais refinadas e purificadas, que correspondem aos estados mentais experimentados nos jhanas, que são estados mentais puros acompanhados de profunda concentração e absorção mental. Portanto, o que caracteriza as divindades de um determinado mundo são as qualidades mentais desenvolvidas e presentes na mente daquele ser. Essas qualidades mentais são provenientes da prática de ações meritórias ou da prática de desenvolvimento da mente através da meditação. Agora, através da prática dos jhanas, é possível que alguns seres desenvolvam poderes extraordinários, os poderes supra-humanos descritos em vários suttas (veja a descrição completa dos poderes supra-humanos).


Os poderes supra-humanos descritos nos suttas não incluem a onisciência. A onisciência do Buda é um aspecto controverso no Cânone. Em geral o Cânone retrata o Buda sob uma perspectiva humanista, ele é um ser humano comum, igual a qualquer outro, que através do seu próprio esforço acabou descobrindo a realidade da vida. Essa descoberta, em muitos suttas, é descrita como a compreensão dos três conhecimentos verdadeiros: o conhecimento das vidas passadas, o conhecimento sobre como o karma determina o processo de renascimento e o conhecimento da destruição das impurezas mentais. Este último é o que caracteriza a iluminação e esse conhecimento não é privilégio do Buda, pois está disponível para qualquer um. Em contraponto a essa perspectiva humanista, os comentários da escola Theravada atribuem um certo grau de onisciência ao Buda. A posição ‘oficial’ da escola Theravada, é que o Buda era onisciente mas apenas em relação àquilo para o qual ele dirigia a sua mente, ou seja, o Buda não era capaz de saber tudo de forma simultânea e precisava dar atenção para aquilo que ele queria saber (para mais detalhes veja o MN 71 e o MN 12). Essa interpretação sofreu uma profunda transformação no Budismo, especialmente com o desenvolvimento do Mahayana, que atribui ao Buda um caráter totalmente transcendental, um caráter divino, distante do ideal humanista presente no Cânone.
O capítulo a seguir - “Multiplicação de Budas e Bodisatvas” - foi traduzido de um ensaio de autoria do renomado estudioso do Budismo – Etienne Lamotte. Ele foi publicado no livro The World of Buddhism e descreve resumidamente o desenvolvimento deste tema no Budismo Mahayana.

Um remedio para o sofrimento

Vivemos hoje em uma época sem precedentes em termos de evolução tecnológica, podemos falar com pessoas que nunca veremos por estarem do outro lado do planeta, doenças que a algumas décadas atrás eram verdadeiras epidemias já não são mais um desafio para a ciência, mesmo o Câncer e a AIDS tiveram em 20 anos mais progressos em seus respectivos tratamentos do que outras doenças em quase um século, os costumes evoluíram, as mulheres ganharam espaço ativo na sociedade, foi compreendido que os recursos naturais do nosso planeta são limitados e carecem de serem preservados.Por outro lado continuamos com os mesmos problemas de sempre, apesar de todos os avanços acima citados, a miséria, a intolerância, a ambição de poucos consumindo o que daria para saciar a muitos ainda assolam o nosso mundo.É inevitável o surgir de um “ Porque isso ?” , como apesar de tantas descobertas e recursos ainda continuamos imersos em ignorância e violência ?Ora a ciência e tecnologia foram criadas para lidarmos com o mundo material, domar a natureza e usar os seus recursos em nosso benefício, mas a miséria, a violência a falta de compreensão não são objetos materiais que podem ser trabalhados pelo nosso conhecimento tecnológico, estes pertencem ao campo da espiritualidade, e neste a nossa evolução tem deixado muito a desejar. Antigamente quando uma pessoa adoecia havia uma série de rituais dês de ervas, raízes até a coisas mais estranhas como urina humana disponíveis como cura, eram remédios que muitas vezes sequer funcionavam, hoje em farmácias dispomos de medicamentos modernos que fazem os chás e raízes parecerem piadas.Na nossa visão remédios antigos não possuem o dom da cura.Porém a cerca de 2500 anos na Índia, surgiu um remédio sem precedentes contra o sofrimento, contra todo o sofrimento, pois este atua na causa e não no efeito do mal, um remédio feito de palavras, palavras que nos ensina a olhar para dentro de nós mesmos e a lidarmos com a fonte de todo o sofrer, o nosso desejo mundano e egoísta, pois os males que assolam o mundo moram em nossa falta de espiritualidade.O Dharma nos ensina a extinguir o sofrimento decorrente do desejo, ele aponta a origem exata do mal dentro de cada um de nós, podemos não mudar o mundo, mas podemos mudar o nosso mundo, finalizo com as palavras de Buda ...“Se um homem olhar o mundo com os olhos corrompidos e ofuscados pela ignorância , ele o verá cheio de erros; mas se o olhar com a clara sabedoria, vê-lo-á como o próprio mundo da iluminação.”Quão bom isto é, não precisamos mudar o mundo, basta mudarmos a nós mesmos.