terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Dieta vegetariana cuidados necessários


Os cuidados mais importantes a se tomar em uma dieta vegetariana dizem respeito à vitamina B12, ao cálcio e aos ácidos graxos ômega 3. Os dois primeiros devem ser considerados com especial atenção por vegetarianos estritos; o terceiro deveria ser uma preocupação de todos, inclusive não-vegetarianos.

Vitamina B12

Deficiência de vitamina B12 pode causar anemia e danos ao sistema nervoso.

Nenhum alimento de origem vegetal contém vitamina B12 em forma utilizável por seres humanos. No passado, acreditava-se que alimentos como espirulina, algas marinhas, levedura de cerveja ou produtos fermentados a base de soja (como tempeh e missô) poderiam conter vitamina B12. Hoje sabe-se que isso não procede.

Uma ingestão apropriada de vitamina B12 pode ser garantida de uma das seguintes formas:

Consumir diariamente 3 fontes de vitamina B12, como, por exemplo, 1 copo de leite (250mL), 185ml de iogurte, um ovo grande ou 1 copo (250mL) de leite de soja enriquecido com vitamina B12. Infelizmente, alimentos enriquecidos com vitamina B12 são pouco comuns no mercado brasileiro (verifique a tabela de informação nutricional).

Consumir diariamente um suplemento vitamínico contendo entre 5 e 10mcg de vitamina B12, ou consumir semanalmente um suplemento contendo 2000mcg de vitamina B12.

Consumo ocasional de leite ou ovos não supre as necessidades de vitamina B12

Cálcio

Exemplo de alimentos ricos e cálcio e porços contendo cerca 10% do valor diário recomendado. Deve-se consumir ao menos 8 porções desse tipo ao dia.

Alimento

Porção

Leite ou iogurte

1/2 copo (125mL)

Leite de soja enriquecido com cálcio

1/2 copo (125mL)

Queijo

20g

Tahini

2 colheres de sopa (30mL)

Brócolis, folhas de mostarda (cozidos)

1 copo (250mL)

Brócolis, folhas de mostarda (crus)

2 copos (500mL)

Um vegetariano estrito norte-americano consome em média 627 mg de cálcio por dia. Esse valor está abaixo da recomendação brasileira de 1000 mg diários. Dada a pequena oferta de alimentos enriquecidos no Brasil, é possível que vegetarianos estritos brasileiros ingiram quantidades ainda mais baixas de cálcio.

Alguns estudos sugerem que a absorção de cálcio em uma dieta vegetariana estrita seja melhor que naquelas que incluem alimentos de origem animal. No entanto, é recomendado seguir os valor diário de 1000 mg.

A tabela ao lado mostra exemplos de alimentos ricos em cálcio e de porções que incluem cerca de 10% do valor diário recomendado (IDR). A ADA aconselha a ingestão de ao menos 8 porções desse tipo ao dia.

Por sua vez, o Dr. John McDougall explicou que as plantas, que estão carregadas de minerais em quantidades suficientes para construir os esqueletos dos maiores animais da terra (o elefante, o hipopótamo, a girafa, o cavalo, a vaca), possuem cálcio suficiente para desenvolver os ossos relativamente penquenos do ser humano. O Dr. McDougall afirmou que a observação de que biliões de pessoas desenvolvem esqueletos adultos normais sem consumir leite de vaca ou suplementos de cálcio deveria ser suficiente para deixar toda a gente descansada em relação à adquaçao de uma dieta vegan, mas que infelizmente esse não é o caso, devido à propaganda enganosa da indústria do leite. Escreveu ainda sobre os inúmeros malefícios do consumo leite.

Entretanto alguns livros têm vindo a alertar para os muitos perigos do consumo de leite, sendo de destacar Don't Drink Your Milk!: New Frightening Medical Facts About the World's Most Overrated Nutrient do Dr. Frank A. Oski, Milk - The Deadly Poison de Brian Vigorita e Robert Cohen, e The China Study: The Most Comprehensive Study of Nutrition Ever Conducted and the Startling Implications for Diet, Weight Loss and Long-term Health do Dr. T. Colin Campbell.

Ômega 3

A ADA recomenda o consumo de 2 porções diárias de alimentos ricos em ômega 3, como por exemplo:

§ 1 colher de chá (5mL) de óleo de linhaça;

§ 3 colheres de sopa de óleo de canola ou de soja;

§ 1 colher de sopa (15mL) de linhaça moída;

Razões ecológicas para ser vegetariano.

A motivação aqui é racionalizar a utilização dos recursos naturais para a obtenção de alimentos. Um vegetariano reduz um elo da cadeia alimentar, tornando-a mais eficiente e, conseqüentemente, reduzindo o impacto ambiental da sua alimentação.As frutas, os cereais e os vegetais exigem 95% menos de matérias-primas para serem produzidas. Além disso, é necessária muito mais energia fóssil para produzir e transportar carne do que para produzir uma porção idêntica de proteínas de origem vegetal. Para produzir carne, é necessário cultivar plantas que alimentarão o gado, que por sua vez irá alimentar o homem. Durante o passo de alimentação do gado, foram gastos recursos como a água, energia e tempo, que poderiam ter sido poupados se o homem consumisse diretamente os vegetais.São necessários 18 quilos de cereal para produzir um quilo de carne, e um acre de terra se for utilizada para cultivar cereais pode produzir cinco vezes mais proteína do que se for utilizada para produzir carne. Logo, é possível alimentar muito mais pessoas, com um custo muito mais reduzido para o ambiente se produzirmos alimentos vegetarianos.

Outro exemplo: segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), para produzir 1 kg de carne bovina são gastos aproximadamente 15 mil litros de água (considerando o consumo do animal durante sua vida dividido pelo rendimento bruto de sua carne). Para produzir 1 kg de soja, são gastos menos de 1300 litros de água, cerca de 10%. A economia de água é, portanto, superior a 90%.Ou seja, se consumíssemos directamente a soja, em vez de a darmos aos animais, também pouparíamos quantidades imensas de água, uma vez que cultivar soja requer muito menos água do que a que é necessária para criar animais para consumo: a substituição mensal de 1,6 quilos de carne pelo equivalente de soja pouparia 75 mil litros de água anualmente, e se 20% dos agregados familiares nos E.U e no Canadá substituíssem semanalmente 113 gramas de carne de vaca pela mesma quantidade de soja, poupava-se anualmente água suficiente para fornecer 10 galões de água potável para cada pessoa do mundo. Ainda de acordo com a FAO (estudo de 2006), a produção mundial de carne é responsável por 18% dos gases que causam efeito de estufa, ou seja, mais do que todos os meios de transportes mundiais juntos. No entanto, em 2009 dois cientistas do Banco Mundial corrigiram e recalcularam os referidos dados para o Instituto Wold Watch, concluindo que a FAO, que é promotora do aumento do consumo de carne, não analisou correctamente todos os aspectos, pois, após a correcção dos erros e o ajustamento dos dados a conclusão dos cientistas foi que a pecuária e os seus subprodutos são causadores de, pelo menos 51% dos gases causadores do efeito de estufa.

Anualmente cerca de 200.000 quilómetros quadrados de florestas tropicais são destruídas para criação de pastos para gado, conduzindo à desertificação e extinção de aproximadamente 1000 espécies de plantas e animais. As florestas tropicais também estão a ser destruídas para produzir soja, sendo que cerca de 80% da soja mundial é utilizada para alimentar animais para consumo humano em vez de ser consumida directamente pelos humanos. Se consumíssemos essa soja em vez de a usarmos para alimentar animais que, posteriormente serão comidos, eliminaríamos a necessidade de destruir as restantes florestas tropicais, pois existe um enorme desperdício no processo de produção de carne. De facto, apenas o gado dos Estados Unidos consome anualmente tanta soja e grão que seria suficiente para alimentar toda a população humana cinco vezes. A amazónia continua a ser desbravada a uma taxa de 25 000 quilómetros quadrados por ano para criação de gado e cultivo de soja para alimentar animais(ou seja, 11 acres de floresta são derrubados a cada minuto). Devido à redução das barreiras comerciais o mundo passou a ser um mercado único, sendo que o aumento do consumo de carne faz com que florestas de outros países sejam destruídas para cultivar soja para alimentar animais e assim, o nosso consumo de carne contribui, de forma indirecta, para a desflorestação no estrangeiro e para a consequente perda de biodiversidade. A destruição das árvores, por sua vez, vem a causar danos ambientais, pois estas deixam de absorver o dióxido de carbono.

Outro problema grave resultante do consumo de carne, são os excrementos que o elevado número de animais produz, o que não acontece na produção de alimentos de origem vegetal. Os animais criados para comer produzem 130 vezes mais excrementos do que toda a população dos Estados Unidos.

Quanto ao peixe, segundo um estudo publicado na revista Science, se a situação se mantiver assim, no ano 2048 não haverá mais peixe no mar. E o peixe criado em viveiro, tendencialmente possui níveis mais elevados de metais pesados e gera uma quantidade de fezes equivalente a uma cidade de 65 mil pessoas a despejar esgotos sem tratamento diretamente no mar.

Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A VIDA DO HOMEM

Vejamos uma alegoria que retrata a vida humana. Era uma vez, um homem que remava um barco rio abaixo. Alguém que estava na margem o advertiu, dizendo: "Pare de remar tão vigorosamente nesta suave corrente; logo adiante há corredeiras e um perigoso redemoinho, há crocodilos e demônios à espreita nas rochosas grutas. Você perecerá, se continuar".

Nesta alegoria, "suave corrente" representa a vida de luxúria; "remando vigorosamente" significa dar vazão às paixões; "corredeiras adiante" é o subsequente sofrimento e dor; "redemoinho" representa o prazer; "crocodilos e demônios" referem-se à decadência e morte que seguem a vida da luxúria e da indulgência aos maus desejos; "Alguém na margem", que adverte, é Buda.

Eis outra alegoria. Um homem que havia cometido um crime fugia à perseguição dos guardas. Tentou se esconder, descendo em um poço agarrando-se nas trepadeiras que cresciam em seus bordos. Quando descia, viu no fundo do poço, umas víboras; refreou então sua descida, agarrando-se e sustentando-se firmemente na liana. Depois de um tempo, quando seus braços começaram a se cansar, ele viu dois camundongos, um branco, outro preto, roendo a liana.

Se a liana se partisse, ele cairia, seria picado pelas víboras e pereceria. De repente, porém, olhando para cima, viu uma colmeia, de onde, ocasionalmente, gotejava mel. O homem, esquecendo-se dos perigos que corria, provou o mel com satisfação.

O homem significa todo aquele que nasce para sofrer e morrer sozinho. Os guardas e as víboras representam o corpo com todos os desejos. As Lianas significam a continuidade da vida humana. Os dois camundongos, um branco, outro preto se referem ao escoar do tempo: os dias e as noites e o passar dos anos. O mel simboliza os prazeres físicos que iludem o sofrimento.

Eis ainda outra alegoria. Um rei colocou quatro víboras numa caixa e a confiou à guarda de um criado. Ele lhe recomendou a tratar bem das serpentes e o advertiu que seria morto se a elas maltratasse. O criado, aterrorizado, decidiu jogar a caixa e fugir.

O rei mandou em seu encalço cinco guardas que dele se acercaram e, amistosamente, pretenderam levá-lo de volta, mas o criado, não confiando na amabilidade deles, fugiu para outra aldeia.

Então, em um sonho, uma voz lhe dizia que nesta aldeia não havia abrigo seguro e que seis bandidos o atacariam. Aterrorizado, o criado fugiu até chegar a um impetuoso rio que lhe barrou o caminho. Pensando nos perigos que o estavam seguindo, fez uma jangada, conseguiu cruzar a turbulenta corrente e alcançar segurança e paz.

As quatro víboras da caixa são os quatro elementos - terra, água, fogo e ar - que compõe o corpo físico. Este corpo, fonte do desejo e da luxúria, é o inimigo da mente. Portanto esta tenta fugir daquele.

Os cinco guardas que se acercaram amistosamente são os cinco agregados - a forma, o sentimento, a percepção, a vontade e a consciência que formam o corpo e a mente.

O abrigo seguro são os seis sentidos, que não são, apesar de tudo, refúgios seguros, e os seis bandidos são os seis objetos destes seis sentidos. Assim, vendo as ciladas e os perigos nos seis sentidos, o criado fugiu uma vez mais, até à brava corrente dos desejos mundanos, onde, com os bons ensinamentos de Buda, fez uma jangada e sobrepujou, com segurança, a turbulenta corrente.

Os três tipos de homens


Há três tipos de homens no mundo. Os primeiros são como letras entalhadas nas rochas: dão facilmente margem ao ódio e retêm irados pensamentos por muito tempo. Os segundos são como letras escritas na areia; também sentem ódio, mas seus irados pensamentos rapidamente desaparecem. Os terceiros são como letras escritas na água corrente; não retêm pensamentos passageiros, deixam o abuso e a inoportuna bisbilhotice passarem despercebidos; suas mentes estão sempre puras e imperturbáveis.

Há ainda outros três tipos de homens. Existem aqueles que são orgulhosos, agem temerariamente e nunca estão satisfeitos; suas naturezas são fáceis de entender. Há aqueles que são corteses e sempre agem com consideração; suas naturezas são difíceis de entender. Por último, há aqueles que dominaram completamente os desejos; é impossível compreender suas naturezas.

Assim, os homens podem ser classificados de muitas maneiras, mas suas naturezas são impenetráveis. Somente Buda as compreende e, com Sua sabedoria, orienta-os com vários ensinamentos.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Na busca da Iluminação

Na busca da Iluminação, uns podem obter êxito mais rapidamente que os outros. Portanto, não se deve desanimar ao ver os outros alcançarem a Iluminação primeiro. Um homem, ao se iniciar no esporte do arco e flecha, não deve esperar um rápido sucesso, deve, isto sim, praticá-lo pacientemente, até se tornar cada vez mais hábil. Um rio começa com um pequeno riacho e fica cada vez mais largo, até desembocar no vasto oceano. Como estes exemplos, se um homem treinar com paciência e perseverança, seguramente, obterá a Iluminação.

Como já foi dito, se alguém mantiver os olhos bem abertos, poderá ver em tudo um ensinamento, e assim, suas oportunidades para a Iluminação são infindáveis.

Certa vez, um homem, que estava queimando incenso, notou que sua fragrância não vinha nem ia, que não aparecia nem desaparecia. Com este pequeno incidente, ele pode obter a Iluminação.

Certa vez, um homem pisou em um espinho. Sentindo dor aguda e insuportável, assim pensou: que a dor é apenas uma reação da mente. Deste incidente, inferiu que a mente pode se perder, se mal controlada ou pode se tronar pura, quando bem controlada. Não demorou muito; tendo estes pensamentos, a Iluminação chegou até ele.

Era uma vez um homem muito avarento. Um dia, quando pensava em sua mente gananciosa, chegou à conclusão de que os pensamentos gananciosos nada mais eram que cavacos e gravetos que a sabedoria poderia queimar e consumir. Este pensamento foi o começo de sua Iluminação.

Há um velho provérbio que diz: “Conserve a sua mente equilibrada. Se ela for equilibrada, todo o mundo também será equilibrado.” Considere estas palavras e compreenda que todas as distinções do mundo são causadas pelos aspectos discriminadores da mente. Nestas palavras pode-se encontrar um caminho da Iluminação. E, na verdade, muitos e ilimitáveis são os caminhos para a Iluminação.

Extraido do livro A doutrina de Buda.


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Um protesto silencioso contra a violência

"Protesto silencioso Thich Quang Duc, nascido em 1897, foi um monge budista vietnamita que se sacrificou até a morte numa rua movimentada de Saigon em 11 de junho de 1963. Seu ato foi repetido por outros monges. Enquanto seu corpo ardia sob as chamas, o monge manteve-se completamente imóvel. Não gritou, nem sequer fez um pequeno ruído. Thich Quang Duc protestava contra a maneira violenta que a sociedade oprimia a religião Budista em seu país. Após sua morte, seu corpo foi cremado conforme à tradição budista. Durante a cremação seu coração manteve-se intacto, pelo que foi considerado como quase santo e seu coração foi transladado aos cuidados do Banco de Reserva do Vietnã como relíquia."

É incrível as formas como o ser humano é capaz de reagir contra situações de abuso e desrespeito, a violência e o desrespeito sempre estão presentes, seja em um helicóptero da policia abatido, em uma faculdade por causa de uma roupa pouco discreta ou em uma prisão onde se denuncia que presos são torturados, mas todos somos humanos, os policiais do helicóptero, os bandidos, a moça do vestido rosa, os alunos da faculdade, tanto o dito "bom" quanto o "mal" tem em sua vida mães, esposas/maridos, filhos e amigos que irão chorar por eles, porque todos temos a capacidade de fazer o bem ou o mal, muitos são os caminhos que levam a um ou a outro, o mundo não está perdido, pois ele é vazio em sí, todo mal que aflige a nossa sociedade nasce dentro do ser humano, e se propaga por egoísmo, ambição, vícios e tantas outras delusões de nossa mente.
Ninguém quer a violência, mas muitos de nós xingamos nossos semelhantes no trânsito, agredimos pessoas que nunca vimos por causa de uma partida de futebol, ou as vezes somos grosseiros porque estamos nervosos, todos temos um grupo de pessoas que amamos e outro que odiamos, mas raramente nos lembramos que temos defeitos e que aqueles de que não gostamos tem lá as sua qualidades, queremos que o mundo melhore,mas ignoramos o mundo que existe dentro de cada um de nós, se ele não mudar, o que poderá ser feito a nível exterior?
Pode parecer utopia, mas se nosso mundo interior estiver em paz, qual será a motivação para matar, extorquir, agredir, enganar descriminar e tantas outra coisas mais?
A cada vez que me lembro da imagem da foto, do vídeo abaixo, fico indignado de haver tantas coisas erradas neste mundo e faço a unica coisa que penso poder fazer para melhorar, eu olho para dentro de mim e tento gerar ações que harmonizem com o meu desejo de ter paz, me lembro das palavras do Buda
"A paz vem de dentro de você mesmo. Não a procure à sua volta. "
No dia em que cada ser humano tiver o seu coração em paz o mundo não será palco de cenas fortes como a abaixo...
Paz e serenidade a todos




sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Quem sabe o que é bom ou mal?

Certa vez havia um sábio fazendeiro chinês cujo o cavalo escapou.

Quando o vizinho foi consola-lo, o fazendeiro disse:

“Quem sabe o que é bom ou mal?”

Quando o cavalo dele voltou no dia seguinte, trazendo consigo um bando de outros cavalos que lhe seguiram, o vizinho tolo foi felicitá-lo pela sua boa fortuna.

“Quem sabe o que é bom ou mal?”, disse o fazendeiro.

Quando então um filho do fazendeiro quebrou a perna tentando montar num dos novos cavalos, o vizinho tolo foi consolá-lo de novo.

“Quem sabe o que é bom ou mal?”, disse o fazendeiro.

Quando o exercito passou convocando os homens para a guerra , deixaram o filho do fazendeiro por causa da perna quebrada.

Quando o homem tolo tolo foi felicitar o fazendeiro pelo fato do seu filho ter sido poupado, de novo o fazendeiro disse:

“Quem sabe o que é bom ou mal?”

Quando podemos esperar que esta história termine?.


Extraído do livro ''Budismo claro e simples'' de Steve Hagen.

O problema de número 84.

Há uma antiga história sobre um homem que foi ver o Buda porque ele, o homem, tinha ouvido falar que o Buda era um grande mestre. Como to­dos nós, ele tinha alguns problemas na vida, e achava que o Buda poderia ser capaz de ajudá-lo. Ele disse ao Buda que era um fazendeiro. "Eu gosto de administrar fazendas” ele disse, "mas às vezes não chove o bastante, e minha colheita é escassa. No ano passado, quase ficamos na miséria. E às vezes chove muito de modo que os meus rendimentos não são o que eu gostaria que fossem". Buda escutou o homem pacientemente. “Sou casado também”, disse o homem. "Ela é uma boa mulher... Eu a amo de fato, mas as vezes ela me apoquenta muito. E às vezes me canso dela”. O Buda ouvil serenamente. “Tenho filhos disse o homem”. "Filhos bons, também... mas às vezes eles não demonstram muito respeito por mim. E às vezes ..." O homem perseguiu assim, relatando todas as suas dificuldades e preocupações. Finalmente ele se acalmou e esperou que o Buda dissesse as palavras que haveriam de ajeitar as coisas para ele. Buda disse: "Eu não posso ajudá-lo." “ O que quer dizer?” perguntou o homem, surpreso. “Todos tem problemas”, disse o Buda. "Na verdade, todos temos 83 problemas, cada um de nós. Oitenta e três problemas, e não há nada que você possa fazer sobre isso. Se você trabalhar duro em um deles, talvez você possa resolve-lo mas se fizer isso, um outro surgirá no lugar dele. Por exemplo você num período posterior da vida perderá seus entes queridos, e você mesmo morrerá um dia. Ora, há um problema, e não há nada que você, nem eu, nem niguém mais possa fazer sobre isso." O homem ficou furioso. "Pensei que o senhor fosse um grande mestre”, ele gritou, “achei que o senhor poderia me ajudar! De que serve a sua doutrina então?” O Buda disse, “talvez ela o ajude com o problema de número 84." "Qual o problemas de número 84, indagou o homem. "Qual é ele?" O Buda disse, “Você não quer ter nenhum tipo de problema."


Extraído do livro ”Budismo claro e simples de Steve Hagen.

A paz de um templo Budista

Reportagem que mostra o maior templo Budista da América Latina em Cotia na grade São Paulo.


Ótima reportagem sobre o Budismo

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Dalai Lama: Niveis de sofrimento e prazer

Acredito que o propósito básico da nossa vida é alcançar a felicidade. É claro que nenhum de nós pode ter a certeza de como será o futuro. Mas, se esperarmos algo de bom, essa atitude nos ajuda a sobreviver. Quando perdemos a esperança, isso abrevia nossa vida, podendo levar até o suicídio. Portanto podemos dizer que o propósito básico da nossa sobrevivência, da nossa existência, é a felicidade, a alegria. E todos os seres, não só os seres humanos, mas todos os seres sencientes, querem a felicidade e não o sofrimento. Todos têm o direito de superar o sofrimento e alcançar a felicidade. Há dois tipos ou dois níveis de sofrimento e prazer, um esta relacionado principalmente com as sensações e com os sentidos. O outro, com o nível mental. A experiência nos níveis do sentido é comum aos seres humanos e aos animais. Nesse nível a dor e o prazer aparecem como mera reação sem raciocínio ou pensamento analítico. Em um outro nível, no nível mental, esta presente a análise, o pensamento, o raciocínio. Diante de acontecimentos negativos, podemos no primeiro momento constatar que serão prejudiciais ao nosso futuro. Isso pode causar medo, preocupação e sofrimento. Por outro lado, ao reflectir sobre esses acontecimentos poderemos enxergar benefícios a longo prazo, algo válido. Por meio desse processo, podemos chegar a outro nível de satisfação. Esse é o nível mental que envolve o raciocínio. Alguns animais podem manifestar isso até certo ponto. Mas basicamente esse é um traço único do homem, por causa da nossa inteligência, do nosso cérebro. Isso nos permite analisar as coisas.

Sobre a raiva

Não nos damos conta que, se temos tendência à aversão e à agressão, os inimigos começam a aparecer por todos os lados. Encontramos cada vez menos coisas para gostar nos outros e cada vez mais coisas para odiar. As pessoas começam a nos evitar e ficamos mais isolados e solitários. Às vezes, enfurecidos, cuspimos palavras ásperas e ofensivas.

[...] Quando você deixa a aversão e a raiva tomarem conta de você, é como se, tendo decidido matar uma pessoa jogando-a em um rio, você se agarrasse ao pescoço dela, pulasse na água e os dois morressem afogados. Ao destruir seu inimigo, você também se destrói.

É muito melhor dissipar a raiva antes que ela possa conduzir a um conflito maior, respondendo a ela com paciência. Compreender a responsabilidade que temos por aquilo que nos acontece ajuda a fazer isso. Tratamos nossa ligação com alguém que percebemos como um inimigo como se saída do nada.

[...] Em vez de procurarmos os defeitos dos outros, dirigindo nossa raiva e aversão contra situações que pensamos estar nos ameaçando, deveríamos lidar com o verdadeiro inimigo.

Esse inimigo, que destrói nossa felicidade a curto prazo e nos impede, em uma perspectiva mais longa, de alcançar a iluminação, é a nossa própria raiva e aversão. Se as vencermos, não haverá mais brigas, pois deixaremos de perceber como inimigos os nossos oponentes -- um grande retorno por pouco esforço. Tanto nós quanto eles teremos cada vez menos probabilidades de reincidir em situações que possam levar a um conflito. Todos saem ganhando.

Chagdud Tulku Rinpoche


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O que é o Budismo

Vídeo muito bom com explicações sobre o Budismo,
suas origens, ensinamentos e como se difundiu.


terça-feira, 6 de outubro de 2009

Para Refletir

" Fique sabendo que , inevitavelmente, haverá situações em que você fará e dará o melhor de si, tudo de si, com a mais pura das intenções, e não receberá nada em troca! Nada Mesmo! Primeiro você fica com raiva de si mesmo e depois dos outros. A raiva corrói seu coração e sua mente e faz você se sentir idiota e sem valor. Você começa a achar que não vale a pena ser uma pessoa decente! Mas, sabe de uma coisa? Se você é a Luz não pode se queixar da escuridão. A única coisa que você pode fazer é brilhar, em tudo o que fizer e em todo o lugar onde for. Esta é a sua função. Você precisa compreender que o fato de haver escuridão não significa que você não esteja fazendo o que deve fazer. "

Monja Senju

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Prece Budista

" Que todos os seres sejam felizes,
May all beings be happy,
Estejam onde estiverem,
Wherever they are,
Sejam fracos ou fortes.
Whether weak or strong,
Altos baixos ou medianos,
High, low or average,
Pequenos ou grandes.
Small or large.
Que todos, sem exceção,Sejam felizes,
Let all, without exception, be happy.
Seres visíveis ou invisíveis.
Visible or invisible beings,
Aqueles que moram perto ou longe.
Those who live near or far.
Aqueles que nasceram,
Those born
e que ainda estão por nascer.
And those still unborn.
Que todos os seres sejam felizes."
May all beings be happy.

"Buda - Metta Sutta"

Quanto vale um sonho ?




Ao ver o vídeo acima não pude deixar de compará-lo as ações aos sonhos do nosso cotidiano, quanto vale um sonho? No caso do Kiwi valeu uma vida, a dele, ao que parece ele morreu feliz, mas caso ele mudasse de idéia depois do salto o que poderia ser feito???
Ele queria voar e se entregou a ilusão deste vôo, também nós quando desejamos voar nós entregamos a ilusão e ligamos nossa felicidade a realização de tal sonho, movemos esforço para termos uma boa profissão que nos garanta um carro do ano, um bom apartamento, roupas da moda, eletroeletrônicos sofisticados etc., e o que há de errado nisto? NADA!!! Também não há nada de errado em voar, o problema foi a forma como o Kiwi o fez, quando o que era para ser simplesmente um bem de consumo se transforma em um ideal de vida estamos nos lançando no vôo vertical desta tão simpática ave desprovida de asas capazes de voar. Tal qual falta capacidade de vôo as asas dele creio que nos falta a visão correta da realidade das coisas, por isso buscamos bens materiais como forma de realização pessoal, neste vôo não morremos como o Kiwi, mas também não encontramos satisfação duradoura, pois o carro do ano só tem o seu status de “do ano” até dezembro, a casa se desgasta, as roupas mudam de tendência e os eletroeletrônicos evoluem de forma desconcertante, e nós na tentativa de seguirmos esta corrida consumista dedicamos tempo e esforço de nossas vidas, acreditando que para sermos felizes temos que obter estas coisas, isto é verdade em parte, afinal é um direito de todo ser humano ter um bom emprego, moradia, etc., mais uma vez o problema está na forma como se encara estes bens, basta dizer como as referências mudaram, hoje não se pergunta “você conhece fulano filho de beltrano? Mas sim “ você conhece fulano, aquele do carro tal? Da moto tal? Que trabalha na Empresa tal? Mas e se não tiver o carro, a moto, a empresa como referencial o que resta ? Nada? Ora resta o ser humano que merece ter estas coisas por seu esforço e capacidade pessoal, mas que não necessita em absoluto de tudo isto para ser feliz , pois a felicidade ou a infelicidade mora em nossas ações e não em nossos bens perecíveis. A conseqüência do vôo do kiwi foi a perca da sua vida, também perdemos a nossa quando movido pelo desejo de posses mundanas nos afastamos daqueles que amamos ou que de alguma maneira necessitam de nós, achando que o ganho de determinado sonho de consumo justifica certos atos de egoísmo e individualismo que são a marca registrada de nossa sociedade, que benefício qualquer posse material pode trazer que desfaça o karma do egoísmo e da ambição desmedida? O dinheiro não é maléfico nem benéfico, traz facilidades e conforto, mas nunca felicidade ou infelicidade, o que gera isto são nossos atos, não há mal nem bem em se ter carros, motos, roupas da moda etc., a forma como se tem é que gera méritos ou deméritos para o “dono” (na verdade não somos donos de nada). O que vale menos? bens materiais vazios ou o conceito que faz certas pessoas desmerecenrem a si e aos seus semelhantes colocando as posses acima das ações que valorizam o espírito humano? Parece que em nossa sociedade só há espaço para o consumismo, as aparências e status, e assim vamos naquele vôo vertical. Ora o Kiwi morreu feliz, ele estava certo? Errado? Mal orientado? E sobre tudo valeu á pena? Isto apenas cada um pode responder para si próprio, lembro apenas que ao contrário do Kiwi podemos interromper a nossa queda antes de perdemos o dom de ter uma vida bem vivida com uma alegria simples e duradoura que só pode ser obtida pela pratica da compaixão.

domingo, 20 de setembro de 2009

Compaixão para com todos os seres vivos


Certa vez o Mestre observava um rebanho de carneiros que avançava lentamente conduzido pelos pastores. Chamou-lhe a atenção uma ovelha com dois cordeirinhos, sendo que um deles, ferido, caminhava penosamente. Buda tomou o cordeirinho ferido em seus braços e exclamou: - Pobre mãe, tranqüiliza-te. Para onde fores, levarei teu querido filhote. - E pensou: "É preferível impedir que sofra um animal, a permanecer sentado nas cavernas contemplando os males do universo."
Sabendo pelos pastores que, por ordem do rei, o rebanho seria levado, à noite, para o sacrifício e imolado em honra aos seus deuses, Buda então falou: - Quero ir convosco. - E os seguiu pacientemente, carregando o cordeirinho nos braços.
Chegando à sala dos holocaustos, observou os brâmanes recitando mantras e avivando o fogo que crepitava no altar. Um dos sacerdotes, apoiando a faca no pescoço estirado de uma cabra de grandes chifres, exclamou: - Eis aí, ó deuses, o princípio dos holocaustos oferecidos pelo rei Bimbisara.
Regozijai-vos vendo correr o sangue e gozai com a fumaça da carne tostada nas chamas ardentes; fazei com que os pecados do rei sejam transferidos a esta cabra e que o fogo os consuma ao queimá-la; vou dar o golpe fatal.
Aproximando-se, Buda disse docemente: - Não a deixeis ferir, ó grande rei! - E ao mesmo tempo desatou os laços da vítima, sem que ninguém o detivesse, tão imponente era seu aspecto.
Então, depois de haver pedido permissão, falou da vida que todos podem tirar, mas ninguém pode dar; da vida que todas as criaturas amam e pela qual lutam; a vida, esse dom maravilhoso e caro a todos, mesmo aos mais humildes; um dom precioso para todas as criaturas que sentem piedade, porque a piedade faz o homem doce para com os débeis e nobre para com os fortes.
Emprestou às mudas bocas do seu rebanho palavras enternecedoras para defender sua causa; demonstrou que o homem que implora a clemência dos deuses não tem misericórdia, ele que é como um deus para os animais; fez ver que tudo o que tem vida está unido por um laço de parentesco; que os animais que matamos nos deram o doce tributo do seu leite e de sua lã e colocaram sua confiança nas mãos dos que os degolam. E acrescentou: - Ninguém pode purificar com sangue sua mente; se os deuses são bons, não podem comprazer-se com o sangue derramado; e se são maus, não podem lançar sobre um pobre animal amarrado o peso de um cabelo dos pecados e erros pelos quais se deve responder pessoalmente. Cada um deve dar conta de si mesmo, segundo esta aritmética invariável do universo, dando a cada um sua medida segundo seus atos, suas palavras e seus pensamentos; esta lei exata, implacável e imutável vigia eternamente e faz com que todos os futuros sejam frutos do passado.
Falou assim, com palavras tão misericordiosas e com tal dignidade, inspirado pela compaixão e justiça, que os sacerdotes se despojaram dos seus ornamentos e lavaram suas mãos vermelhas de sangue. E o rei, aproximando-se, saudou o Buda com as mãos juntas.

Do livro Budismo - Psicologia do autoconhecimento

A maldade da Calúnia


Certa vez, o Buda Sakyamuni (Sidharta Gautama) encontrava-se pregando na cidade de Kausambi. Nessa cidade vivia um homem que o odiava e, transtornado por esse ressentimento, e usando subornos, induziu algumas pessoas malvadas para que divulgassem boatos malévolos a respeito do Buda.Como conseqüência, ficou muito difícil para os discípulos de Sakyamuni obterem, naquela cidade, alimentos suficientes através da mendicância, pois a população havia sido contaminada com as mentiras e abusos sobre o Buda e seus discípulos.Ananda, um dos principais discípulos de Sakyamuni, disse para o Mestre: "Seria melhor não ficarmos nesta cidade; há outras e melhores cidades para onde podemos ir; saiamos daqui."O Buda replicou : "Suponhamos que a outra cidade seja como esta; que faremos então ?""Então iremos para outra" --- disse Ananda.
O Iluminado retrucou : "Não, Ananda, assim nunca conseguiremos nosso intento. É melhor que permaneçamos aqui e suportemos pacientemente o abuso, as mentiras e as infâmias, até que se esgotem por si mesmas. Só então iremos para outro lugar."Continuando, o Buda falou, ainda : "Há lucro e perda, difamação e honra, louvor e abuso, sofrimento e prazer neste mundo; os seres humanos que alcançam a Budicidade não são controlados pelas coisas externas, pois que elas desaparecem tão rapidamente como surgem."

A INSENSATEZ E A ESTUPIDEZ DOS TOLOS


Sutra Samyuktaratnapitaka


Havia, certa vez, um homem que se irritava com facilidade.Um dia, dois outros homens estavam conversando a respeito do homem irritadiço, em frente à casa onde ele vivia. Um dizia ao outro : "Ele é um belo homem, mas é impaciente demais; tem um temperamento explosivo e se zanga rapidamente."O homem irritadiço, ouvindo a observação, irrompeu da casa e atacou os dois amigos, batendo, chutando e magoando-os.Este fato nos ensina que quando um sábio é advertido sobre seus erros, refletirá sobre isso e melhorará sua conduta. Quando, entretanto, um insensato tem sua má conduta apontada, não somente desprezará o aviso, como também continuará a repetir o mesmo erro.
Era uma vez um homem rico, porém tolo.Ao ver uma bela mansão de três pavimentos, invejou-a e decidiu construir uma igual a ela, julgando-se suficientemente rico para tal empreendimento.Contratou um carpinteiro e lhe ordenou que construísse a sua mansão.O carpinteiro começou imediatamente a construir o alicerce para depois fazer, sucessivamente, o primeiro, o segundo e o terceiro andares. O homem rico, vendo isso com irritação, disse : "Não quero um alicerce, nem o primeiro, nem o segundo andares; apenas quero o lindo terceiro pavimento. Construa-o rapidamente."Um tolo, portanto, pensa apenas nos resultados, impacientando-se com o esforço necessário para se conseguir bons resultados. Nada de bom pode ser conseguido sem esforço, assim como não se pode construir um terceiro pavimento sem que se façam primeiramente o alicerce, o primeiro e o segundo andares.
Um outro tolo estava, certa vez, fervendo mel.Recebendo a inesperada visita de um amigo, ele lhe ofereceu algum mel, mas como estivesse muito quente, tentou esfriá-lo com um abanador, sem retirar o mel do fogo.Da mesma maneira, é impossível obter-se o mel da fresca sabedoria, sem que primeiro se remova o fogo das paixões e desejos mundanos.

Os quatro tipos de pessoas



Os quatro tipos de pessoas




Anguttara Nikaya IV.95 O Pedaço de Lenha Chavalata Sutta


“Bhikkhus (monges), há quatro tipos de pessoas que podem ser encontradas no mundo. Quais quatro? Aquela que não pratica nem para o seu próprio benefício e tampouco para o benefício dos outros. Aquela que pratica para o benefício dos outros mas não para o seu próprio benefício. Aquela que pratica para o seu próprio benefício mas não o benefício dos outros. Aquela que pratica para o seu próprio benefício e também para o benefício dos outros.
“Tal como um pedaço de lenha de uma pira funerária, ardendo em ambas pontas e suja de excremento no meio, não pode ser usado como madeira no vilarejo ou na floresta, eu lhes digo que esse é um símile para o indivíduo que não pratica nem para o seu próprio benefício e tampouco para o benefício dos outros. O indivíduo que pratica para o benefício dos outros mas não para o seu próprio benefício é o superior e mais refinado dos dois. O indivíduo que pratica para o seu próprio benefício mas não para o benefício dos outros é o superior e mais refinado dos três. O indivíduo que pratica para o seu próprio benefício e também para o benefício dos outros é, entre os quatro, o principal, o cabeça, o mais destacado, o superior e supremo. Da mesma forma como da vaca se obtém o leite, do leite o creme de leite, do creme de leite a manteiga, da manteiga a manteiga líquida, e da manteiga líquida a nata da manteiga líquida; e desses, a nata da manteiga líquida é considerada o principal – assim também, desses quatro, o indivíduo que pratica para o seu próprio benefício e também para o benefício dos outros é o principal, o cabeça, o mais destacado, o superior e supremo.”
“Essas são os quatro tipos de pessoas que podem ser encontradas no mundo.”

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Somente pela espiritualidade


Hoje ao se ver ou ouvir um noticiário ou mesmo na esquina bem próxima de nós, o cotidiano de nossa sociedade está manchado por vícios , violência, miséria, exploração e uma amarga desonestidade, estas coisas na verdade estão se banalizando a ponto de parecerem normais e inevitáveis, dentro desta perspectiva o mundo parece bem desanimador, talvez se houvesse mais empregos, se as leis fossem mais severas, se a repressão as drogas fosse mais pesada etc. etc., muito se fala a nível de mudanças nos sistemas, nas leis, mas será que isto age sobre a causa ou sobre o efeito?
Será que o presidente, o policial, o médico, o juiz e tantas outras peças do sistema podem fazer o mundo melhor? O que é necessário para um mundo melhor? Dinheiro? Empregos? Prisões? Carrascos?
Não, acho que COMPAIXÃO é o bastante, tudo que necessitamos pode ser obtido de nosso planeta, então o que nos priva de nossas reais necessidades? A ambição, a ignorância a falta de tolerância, isto nenhum sistema político, nenhum presidente, primeiro ministro, juiz ou policial, nenhuma legislação ou ditadura pode corrigir, tais fatores só podem ser reparados por uma coisa, CADA UM DE NÓS, não no mundo externo mas dentro de nosso espírito, a cura para os males do mundo repousa na espiritualidade, apenas pelos olhos da compaixão poderemos ter um mundo melhor, na verdade o mundo em si não está em absoluto perdido, ele é maravilhoso e radiante, nós é que estamos perdidos por dentro e refletimos esta escuridão na realidade que nos rodeia.
É na espiritualidade que está a cura para os male do mundo, que na verdade são os males da nossa própria ignorância.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O PODER DE BUDA




Kisagotami era uma pobre viúva que tinha sofrido diversas reviravoltas cruéis na vida. Então, como último golpe, o amado bebê – que era tudo que ela tinha no mundo – morreu.
Ela estava inconsolável e não queria que o corpo fosse cremado. Sofrendo também, um dos vizinhos da vila sugeriu que ela fosse ver o Buda. Ela chegou ante ele com o cadáver ainda em seus braços. “Me dê algum medicamento especial para curar minha criança, traga-o de volta” implorou.
Então o iluminado calmamente falou:
“Sim, posso te ajudar. Vá e me arranje três grãos de sementes de mostarda. Mas elas precisam ser de casas onde a morte nunca tenha ocorrido”.
Kisagotami encheu de esperança seu coração. Mas, assim que ia de porta em porta, ouvia uma história de perda após a outra. Desolada voltou a presença de Buda e disse que não encontrara uma única casa em que não houvesse ocorrido a morte.
Buda olhou serenamente para a pobre mulher e nesse instante a sua mente pode compreender que o luto não era sua tragédia pessoal, mas uma característica da condição humana, e aceitou o fato, com a alma resignada cremou a criança e se tornou dicípula de Buda.
É na correta compreenção da realidade e na compaixão por todas as coisas que mora o poder de Buda.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Buda e o tapa


“Buda estava sentado embaixo de uma árvore falando aos seus discípulos”. Um homem se aproximou e deu-lhe um tapa no rosto.
Buda esfregou o local e perguntou ao homem:
- E agora? O que vai querer dizer?
O homem ficou um tanto confuso, porque ele próprio não esperava que, depois de dar um tapa no rosto de alguém, essa pessoa perguntasse: “E agora?” Ele não passara por essa experiência antes. Ele insultava as pessoas e elas ficavam com raiva e reagiam. Ou, se fossem covardes, sorriam, tentando suborná-lo. Mas Buda não era num uma coisa nem outra; ele não ficara com raiva nem ofendido, nem tampouco fora covarde. Apenas fora sincero e perguntara: “E agora?” Não houve reação da sua parte.

Os discípulos de Buda ficaram com raiva, reagiram. O discípulo mais próximo, Ananda, disse:
- Isso foi demais: não podemos tolerar. Buda guarde os seus ensinamentos para o senhor e nós vamos mostrar a este homem que ele não pode fazer o que fez. Ele tem de ser punido por isso. Ou então todo mundo vai começar a fazer dessas coisas.
- Fique quieto – interveio Buda – Ele não me ofendeu, mas você está me ofendendo. Ele é novo, um estranho. E pode ter ouvido alguma coisa sobre mim de alguém, pode ter formado uma idéia, uma noção a meu respeito. Ele não bateu em mim; ele bateu nessa noção, nessa idéia a meu respeito; porque ele não me conhece, como ele pode me ofender? As pessoas devem ter falado alguma coisa a meu respeito, que “aquele homem é um ateu, um homem perigoso, que tira as pessoas do bom caminho, um revolucionário, um corruptor“. Ele deve ter ouvido algo sobre mim e formou um conceito, uma idéia. Ele bateu nessa idéia.
Se vocês refletirem profundamente, continuou Buda, ele bateu na própria mente. Eu não faço parte dela, e vejo que este pobre homem tem alguma coisa a dizer, porque essa é uma maneira de dizer alguma coisa: ofender é uma maneira de dizer alguma coisa. Há momentos em que você sente que a linguagem é insuficiente: no amor profundo, na raiva extrema, no ódio, na oração. 28/11/08 Eduardo
Há momentos de grande intensidade em que a linguagem é impotente; então você precisa fazer alguma coisa. Quando vocês estão apaixonados e beijam ou abraçam a pessoa amada, o que estão fazendo? Estão dizendo algo. Quando vocês estão com raiva, uma raiva intensa, vocês batem na pessoa, cospem nela, estão dizendo algo. Eu entendo esse homem. Ele deve ter mais alguma coisa a dizer; por isso pergunto: “E agora?”

O homem ficou ainda mais confuso! E buda disse aos seus discípulos:
- Estou mais ofendido com vocês porque vocês me conhecem, viveram anos comigo e ainda reagem.
Atordoado, confuso, o homem voltou para casa. Naquela noite não conseguiu dormir.

Na manhã seguinte, o homem voltou lá e atirou-se aos pés de Buda. De novo, Buda lhe perguntou:
- E agora? Esse seu gesto também é uma maneira de dizer alguma coisa que não pode ser dita com a linguagem. Voltando-se para os discípulos, Buda falou:
- Olhe, Ananda, este homem aqui de novo. Ele está dizendo alguma coisa. Este homem é uma pessoa de emoções profundas.
O homem olhou para Buda e disse:
- Perdoe-me pelo que fiz ontem.
- Perdoar? – exclamou Buda. – Mas eu não sou o mesmo homem a quem você fez aquilo. O Ganges continua correndo, nunca é o mesmo Ganges de novo. Todo homem é um rio. O homem em quem você bateu não está mais aqui: eu apenas me pareço com ele, mas não sou mais o mesmo; aconteceu muita coisa nestas vinte e quatro horas! O rio correu bastante. Portanto, não posso perdoar você porque não tenho rancor contra você.
E você também é outro, continuou Buda. Posso ver que você não é o mesmo homem que veio aqui ontem, porque aquele homem estava com raiva; ele estava indignado.
Ele me bateu e você está inclinado aos meus pés, tocando os meus pés; como pode ser o mesmo homem? Você não é o mesmo homem; portanto, vamos esquecer tudo. Essas duas pessoas: o homem que bateu e o homem em quem ele bateu não estão mais aqui."