sexta-feira, 5 de março de 2010

A VERDADE SOBRE A VIDA HUMANA


1. Os homens neste mundo tem a predisposição de ser egoístas e antipáticos; não sabem como amar e respeitar uns aos outros; argumentam, discutem e se batem sobre banalidades, apenas para o próprio mal e sofrimento, e a vida se torna uma melancólica roda de infelicidade.
Não importando se são ricos ou pobres, os se preocupam com o dinheiro; sofrem com a pobreza e sofrem com a riqueza. Nunca estão contentes ou satisfeitos, porque suas vidas são controladas pela cobiça.
O rico se preocupa com seu patrimônio; preocupa-se com sua mansão ou outras propriedades. Aflige-se, enfim, com o desastre que lhe possa acontecer: incêndio em sua mansão, roubos ou seqüestro. Preocupa-se com a morte e a disposição de sua fortuna. Com efeito, seu caminho para a morte é solitário, ninguém o acompanhará em sua morte.
O pobre sempre sofre com a insuficiência e isto serve para despertar-lhe intermináveis desejos por um terreno, por uma casa. Inflamado pela cobiça, ele destrói o corpo e a mente e acaba morrendo na metade de sua vida.
O mundo todo lhe parece antagônico e o caminho para a morte lhe parece longo e solitário, sem amigos a acompanhá-lo.

2. Neste mundo há cinco males. Primeiro, há crueldade; toda criatura, mesmo os insetos, luta uma contra a outra. O forte ataca o fraco; o fraco ludibria o forte; em toda parte há lutas e crueldade.
Segundo, não há uma clara demarcação entre os direitos de um pai e de um filho; entre o irmão mais velho e o mais novo; entre marido e mulher; entre parentes. Em toda a ocasião cada um quer ser o maior e aproveitar dos outros. Eles se enganam uns aos outros, há, então, decepção e insinceridade.
Terceiro, não há uma clara demarcação de comportamento entre homens e mulheres. Todos tem, às vezes, impuros e lascivos pensamentos e desejos, que os levam a perpetrar atos duvidosos, que os induzem às discussões, lutas, injustiças e à perversidade.
Quarto, há uma tendência nos homens em desrespeitar os direitos de outrem, em exagerar a própria importância em detrimento dos outros, em estabelecer falsos padrões de comportamento e, sendo injustos em suas palavras, enganam, caluniam e abusam dos outros.
Quinto, há uma tendência nos homens em negligenciar seus deveres em relação aos outros. Preocupam-se demais com os seu próprio conforto e desejos; esquecem-se dos favores recebidos e causam aborrecimentos aos outros, que sofrem grande injustiça.

3. Os homens deveriam ter mais simpatia uns pelos outros; deveriam respeitar-se mutuamente por suas boas características e ajudar-se uns aos outros em suas dificuldades; mas, assim não se passa. Eles são egoístas e empedernidos; desprezam-se por seus insucessos e odeiam os outros por suas vantagens. Estas aversões, geralmente, pioram com o tempo e se tornam intoleráveis.
Estes sentimentos de antipatia não terminam, de imediato, em atos de violência; entretanto, envenenam a vida, de tal maneira, com os sentimentos de aversão e ódio, que se gravam de maneira profunda na mente, e os homens carregam suas marcas nos ciclos carmaicos.
Na verdade, neste mundo da luxúria, o homem nasce e morre sozinho, não há ninguém com quem partilhar o castigo da vida depois da morte.
A lei da causa e efeito é universal; cada um deve carregar seu próprio fardo de erros e deve percorrer um longo caminho para a sua remissão. Uma vida de simpatia e bondade resultará em boa ventura e felicidade.

4. Com o passar dos anos, os homens, vendo quão fortemente estão presos à cobiça, ao hábito e ao sofrimento, entristecem-se e se desanimam. Em seu desencorajamento, muitas vezes, discutem com os outros, mergulham cada vez mais profundamente nos erros e desistem de trilhar o verdadeiro caminho; às vezes, suas vidas chegam a um fim prematuro, em meio a sua perversidade, e por isso, sofrem eternamente.
Esta queda no desanimo, devido aos infortúnios e sofrimentos, é muito natural e contrária à lei do céu e da terra, e portanto, o homem deve sofrer neste e no outro mundo após a morte.
É bem verdade que tudo nesta vida é transitório e cheio de incertezas, mas também é lamentável que alguém ignore este fato e continue a busca pelo prazer e satisfação de seu desejos.

5. Neste mundo de sofrimento, é natural que os homens pensem e ajam egoísticamente; em contrapartida, porque assim agem, é natural também que o sofrimento e a infelicidade os sigam.
Os homens se favorecem a si mesmos e negligenciam os outros. Dirigem seus desejos à cobiça, à luxúria e a todo o mal. Por estes fatos, eles devem sofrer interminavelmente.
Os tempos de luxúria não perduram muito, passam rapidamente; nada, neste mundo, pode ser desfrutado durante muito tempo.

6. Portanto, os homens devem abandonar, enquanto jovens e saudáveis, toda a cobiça e apego aos negócios mundanos, e buscar seriamente a Iluminação, pois não haverá nenhuma esperança nem felicidade duradoura fora da Iluminação.
Muitos homens, entretanto, não crêem ou ignoram a lei da causa e efeito. Continuam com seus hábitos de cobiça e egoísmo, esquecendo-se do fato, segundo o qual, a boa ação traz felicidade e a má ação, infortúnio. Também não acreditam que os atos, cometidos pelos homens, condicionam as vidas seguintes e implicam em outras, legando-lhes recompensas ou punições pelos seus erros.
Os homens lamentam e se queixam de seus sofrimentos, interpretando mal o significado que tem seus atos presentes sobre suas vidas futuras, e a relação que há entre seus sofrimentos atuais e os atos cometidos em vidas anteriores. Pensam somente no desejo e sofrimento atuais.
Nada no mundo é permanente ou duradouro; tudo muda, é transitório e imprevisível. Mas os homens são néscios e egoístas, preocupam-se somente com os desejos e sofrimentos do momento presente. Não dão atenção aos bons ensinamentos nem tentam compreende-los; simplesmente se entregam aos interesses, à riqueza e à luxúria.

7. Desde tempos imemoriais, um incalculável número de pessoas tem nascido e continuam a nascer neste mundo de ilusão e sofrimento. É fato deveras auspicioso, entretanto, que o mundo tenha os ensinamentos de Buda e que os homens possam neles acreditar e ser salvos.
Portanto, os homens deveriam pensar profundamente, deveriam conservar suas mentes puras e os corpos sadios, deveriam evitar a cobiça e o mal e buscar apenas o bem.
Felizmente, o conhecimento dos ensinamentos de Buda já nos é possível; deveremos acreditar neles e desejar renascer na Terra Pura de Buda. Conhecendo os ensinamentos de Buda, não deveremos seguir os outros em seus gananciosos e pecaminosos caminhos, nem deveremos conservar apenas conosco os ensinamentos de Buda, mas deveremos praticá-los e transmiti-los aos outros.

Extraido do livro A doutrina de Buda.

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